Há um homem negro morto, e o que me indigna não é apenas o ato em si, mas a previsibilidade estrutural que o antecede.
Quando um homem negro tira a própria vida após sofrer racismo em um espaço público, isso não pode ser tratado como episódio isolado. Existe uma ordem social que produz essas condições, uma ordem que naturaliza a exposição, a humilhação, a suspeita permanente sobre corpos negros. Uma ordem que transforma violência simbólica em rotina.
👉 Pessoa branca: o teu silêncio não é ausência de posição, ele opera como manutenção da hierarquia.
Vivemos em uma sociedade fundada na escravidão, organizada por uma lógica de exploração e sustentada por privilégios racializados. Essa estrutura *não desapareceu; ela se sofisticou*. Ela se manifesta na seletividade da empatia, na rapidez com que relativizamos denúncias, na disposição constante para proteger reputações ao invés de enfrentar o conflito racial.
O que me chama atenção é o hiato entre a gravidade do ocorrido e a intensidade da reação pública. Não estamos indignados o suficiente. Não há mobilização proporcional ao dano histórico que continua sendo reproduzido. O deconforto de se posicionar (ou o conforto de não fazer nada a respeito) ainda parece maior do que o incômodo diante da violência.
Pessoas brancas, é necessário reconhecer que há *responsabilidade coletiva nesse processo*. Beneficiamo-nos de uma estrutura que distribui sofrimento de maneira desigual. Permanecer calado, especialmente quando se ocupa espaços de poder e visibilidade, reforça a estabilidade desse sistema.
O racismo mata de múltiplas formas, mata fisicamente, psicologicamente, socialmente. Mata pela exposição constante à desumanização, e a forma mais perversa de violência é aquela que, além de ferir, ainda precisa ser provada.
O silêncio, nesse contexto, funciona como conveniência: preserva relações, evita desgaste, mantém capital simbólico intacto, mas também preserva a estrutura que produz essas mortes. Se não estamos profundamente indignados por isso, precisamos nos perguntar o por quê 🫵 A ausência de reação também é um dado político.
Imagem: instagram @pretitudes








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