Vivo escrevendo sobre o capitalismo patriarcal e seus impactos, chamando homens à responsabilidade e convocando todos a desconstruirmos esse sistema. Durante muito tempo estive tão imersa em explicar o porquê que acabei deixando de lado algo fundamental: o como. E esse “como” não é simples, mas é possível.
O primeiro passo passa por um entendimento mais profundo do patriarcado e por compreender porque tantos homens se sentem atacados quando falo em extingui-lo. E, ao contrário do que costuma aparecer no debate público, isso não se explica apenas por privilégio. O patriarcado também é um sistema injusto com os homens, justamente porque ele se infiltra e se aninha na construção da identidade masculina.
Desde muito cedo, homens são ensinados a se perceber a partir de um lugar central, onde valor pessoal, reconhecimento e pertencimento ficam condicionados a desempenho, controle, força e utilidade. Por isso não podemos entender esse processo como sendo uma autonomia real, mas uma identidade estreita, funcional, que raramente admite fragilidade, dúvida ou cuidado. Quando esse sistema é questionado, a sensação não é de debate político, mas de ataque pessoal, como se aquilo que sustenta o “quem eu sou” estivesse sendo colocado em risco.
É por isso que a reação costuma ser defensiva. Não porque todos queiram manter seus privilégios intactos (apesar de alguns realmente quererem), mas porque desmontar o patriarcado exige revisitar a própria identidade, reconhecer perdas emocionais antigas e admitir que muito do que foi vendido como força também produziu solidão, cansaço, violência e vazio. Esse custo raramente entra na conversa, e talvez seja exatamente aí que o diálogo precise começar. Vamos conversar?
Créditos da imagem: @helodangeloarte








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